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Os principais destaques da primeira semana da COP17

há 1 dia
4 min de leitura

A primeira semana de negociações da COP17, a Conferência das Partes da Convenção sobre Diversidade Biológica (CDB), chegou ao fim em Yerevan, na Armênia. A equipe da Emissario acompanhou os debates e reuniu os principais pontos para quem toma decisões de negócio e acompanha os impactos da agenda global de biodiversidade nas empresas.


O clima das negociações


A presidência busca um resultado geral, chamado “Yerevan Pathway” (Caminho de Yerevan), para identificar lacunas de implementação e definir prioridades para um progresso mensurável nos próximos dois anos. A conferência também teve a primeira Cúpula de Líderes da história da Convenção sobre Diversidade Biológica. Os temas mais sensíveis, como mobilização de recursos e mecanismo financeiro, seguiram diretamente para grupos de contato fechados.


Financiamento da biodiversidade: o Fundo Cali ainda está no começo


O Fundo Cali foi criado para que empresas que utilizam informações de sequenciamento digital (DSI, na sigla em inglês) compartilhem benefícios com a conservação da biodiversidade. No início da COP17, o fundo tinha US$ 10.656 em compromissos, dos quais US$ 7.085 já haviam sido depositados. Os compromissos vieram de cinco empresas, e duas das contribuições ainda eram promessas. A ambição do fundo é arrecadar US$ 1 bilhão por ano.


Um porta-voz do fundo disse que instrumentos semelhantes costumam levar de dois a três anos para ganhar escala. Em Yerevan, os governos discutem quais empresas devem contribuir, como calcular essas contribuições e como distribuir os recursos entre países em desenvolvimento e comunidades locais. Para os setores de biotecnologia, farmacêutico, cosmético e agro, esse é um dos pontos mais importantes a observar.


Empresas e biodiversidade: o que o Business & Biodiversity Forum mostrou


O fórum reuniu executivos, bancos de desenvolvimento e especialistas. Quatro ideias se destacaram.


1. Natureza como infraestrutura produtiva. Soluções baseadas na natureza foram apresentadas como ativos que melhoram o desempenho e reduzem riscos. Um exemplo é o reflorestamento ao longo de rodovias, que ajuda a diminuir danos causados por inundações. Projetos que integram a natureza desde o planejamento evitam retrabalho e custos.


2. O gargalo está nos projetos prontos. Há muita demanda de investidores, mas faltam projetos estruturados para receber o capital. Pequenas empresas e produtores rurais têm mais dificuldade de acessar crédito e assistência técnica. Os bancos de desenvolvimento têm papel importante na criação de modelos.


3. Proteção em escala de paisagem. Um caso apresentado no Brasil reúne reservas coordenadas com autoridades públicas e protege cerca de 800 mil hectares na Amazônia e 23 mil no Sudeste. A lição é que reservas isoladas ficam vulneráveis quando estão cercadas por desmatamento e as comunidades não têm outras fontes de renda. Por isso, a conservação precisa integrar cadeias de valor locais. Também chamou atenção a colaboração entre concorrentes em ações territoriais.


4. Economia circular em embalagens de alimentos. Mais de um terço dos alimentos produzidos no mundo não é consumido. Embalagens que ampliam a vida útil reduzem a pressão sobre a terra. Um dos executivos citou investimento anual acima de 100 milhões de euros no redesenho de embalagens e no uso de fibras e plásticos renováveis.


Um recado atravessou todos os painéis. Para convencer CFOs e investidores, a conservação precisa ser traduzida para a linguagem de negócios: risco, desempenho e valor econômico.


Divulgação de riscos relacionados à natureza: o tema entra no relatório financeiro


Em 22 de outubro, o International Sustainability Standards Board (ISSB) abriu consulta pública sobre suas propostas de divulgações relacionadas à natureza, com prazo até 19 de fevereiro de 2027. A proposta vem em formato de Practice Statement e se baseia amplamente no trabalho da Taskforce on Nature-related Financial Disclosures (TNFD).


O objetivo é evitar relatórios isolados, conectando riscos e oportunidades relacionados à natureza aos riscos e às oportunidades climáticas. Para empresas que já reportam informações sobre clima, o recado é claro: avaliar clima e biodiversidade de forma integrada. A consulta também está aberta à participação das empresas.


Créditos de biodiversidade: a importância da base técnica


A CNI lançou, na sexta-feira (22), um levantamento inédito que identifica mais de 60 iniciativas nacionais e internacionais dedicadas a créditos de biodiversidade. A GSS atuou como consultoria técnica na pesquisa e acompanhou o painel realizado durante a programação. Os debates reforçaram que o amadurecimento desse mercado depende de dados técnicos consistentes.


COP17: o que esperar da segunda semana


Quatro pontos devem concentrar as atenções:


  • O resultado da primeira Revisão Global e o “Yerevan Pathway”.


  • A mobilização de recursos e o mecanismo financeiro.


  • As regras de contribuição do Fundo Cali e a relação entre informações de sequenciamento digital (DSI) e as obrigações de repartição de benefícios já existentes.


  • A participação de povos indígenas e comunidades locais nas decisões sobre seus territórios.


Como a Emissario pode ajudar


A Emissario apoia empresas na estruturação e na implementação de projetos de impacto, conectando compromissos ambientais a ações concretas, gestão e evidências de resultados. Para organizações que buscam avançar na agenda de biodiversidade, isso inclui estruturar projetos, acompanhar sua execução e fortalecer a rastreabilidade e a comprovação dos resultados.


Para entender como transformar os debates da COP17 em iniciativas alinhadas às prioridades do seu negócio, entre em contato com nossa equipe.


Seguimos acompanhando as negociações da COP17 para compartilhar as decisões mais importantes da segunda semana.

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