Pique e Castanheiros do Unini: fortalecendo a sociobioeconomia na Amazônia
Atualizado: há 7 horas
Na região do Rio Unini, no Amazonas, o extrativismo sustentável representa uma importante oportunidade para fortalecer a economia local e conservar a biodiversidade. Por meio do aproveitamento responsável de recursos florestais, comunidades do Baixo Rio Negro desenvolvem atividades que conectam geração de renda, organização comunitária e valorização dos produtos da sociobiodiversidade.
Nesse contexto, os projetos Pique e Castanheiros do Unini atuam no fortalecimento das cadeias produtivas do óleo de copaíba e da castanha-do-brasil. As iniciativas apoiam o trabalho de extrativistas locais e contribuem para ampliar as oportunidades de produção e comercialização, mantendo a floresta como parte essencial da economia do território.
Projeto Pique: manejo coletivo do óleo de copaíba
Desenvolvido na Reserva Extrativista do Rio Unini, em Barcelos (AM), o Projeto Pique apoiou a estruturação de uma trilha comunitária para o manejo da copaíba (Copaifera sp.), árvore nativa da Amazônia cujo óleo possui aplicações comerciais em diferentes setores.
A iniciativa foi estruturada para organizar a extração e facilitar o beneficiamento e a comercialização do produto, fortalecendo a atuação coletiva da Cooperativa Mista Agroextrativista do Rio Unini (COOMARU).
O trabalho envolveu o mapeamento de áreas de interesse, a identificação de árvores de copaíba, o planejamento da trilha de coleta e a capacitação dos extratores em práticas de manejo. A organização dessa estrutura contribui para qualificar a produção e ampliar as possibilidades de acesso ao mercado.
Resultados do Projeto Pique
1 trilha comunitária de 4 km: planejada e estruturada para apoiar o acesso às áreas de coleta e o escoamento da produção, com operação coletiva pela COOMARU.
53 extratores capacitados: participantes receberam orientações para realizar o manejo e a coleta do óleo de copaíba.
410 litros de óleo extraídos: volume registrado pelo projeto, com a COOMARU à frente do processo produtivo.
Os resultados reforçam a importância da organização coletiva para estruturar cadeias produtivas da sociobiodiversidade, ampliar a capacidade de comercialização e gerar oportunidades econômicas a partir dos recursos da floresta.
Projeto Castanheiros do Unini: valorização da castanha-do-brasil
Complementando essa atuação, o Projeto Castanheiros do Unini trabalha no fortalecimento da cadeia produtiva da castanha-do-brasil, um dos produtos tradicionais do extrativismo amazônico.
A iniciativa contribui para consolidar a atuação da COOMARU no beneficiamento da castanha e para ampliar as oportunidades de comercialização. Ao apoiar a organização da produção e a estrutura de beneficiamento, o projeto fortalece uma atividade que gera renda para famílias extrativistas e valoriza os recursos naturais do território.
O alcance da iniciativa envolve cerca de 100 famílias das comunidades localizadas nas calhas do Rio Unini, conectando produção, beneficiamento e comercialização em uma cadeia de valor baseada na sociobiodiversidade.
Resultados do Projeto Castanheiros do Unini
100 famílias beneficiadas: extrativistas da região receberam benefícios por meio de ações voltadas ao fortalecimento da produção e da comercialização.
79% das exigências do MAPA atendidas: avanço no atendimento aos requisitos para as unidades de beneficiamento de produtos da sociobiodiversidade, criando condições para ampliar oportunidades de mercado.
4,3 toneladas de castanha em amêndoas produzidas: resultado associado à aquisição de 13,5 toneladas de castanha bruta junto a mais de 15 castanheiros.
Dois ciclos operacionais de dez dias: atividades realizadas na unidade de beneficiamento para apoiar o processamento e a logística da produção.
Esses avanços contribuem para fortalecer a estrutura produtiva da cooperativa, aprimorar o beneficiamento e ampliar as condições para que a castanha-do-brasil alcance novos mercados.
Organização coletiva e conservação da floresta
Os projetos Pique e Castanheiros do Unini demonstram como o fortalecimento de cadeias produtivas pode gerar benefícios econômicos e sociais enquanto valoriza a conservação dos ecossistemas amazônicos.
A organização dos extrativistas em torno da COOMARU favorece a gestão coletiva da produção, amplia a capacidade de negociação e contribui para aproximar as comunidades de oportunidades comerciais.
Do ponto de vista ambiental, o manejo da copaíba e o extrativismo da castanha-do-brasil são atividades que podem conciliar o aproveitamento econômico dos recursos naturais com a manutenção da floresta em pé, desde que conduzidas de forma responsável.
Ao valorizar produtos originados na biodiversidade, essas iniciativas contribuem para fortalecer alternativas econômicas associadas à conservação e para reconhecer o papel das comunidades na gestão sustentável do território.
Parcerias para fortalecer a sociobioeconomia amazônica
Os projetos foram coordenados pela Emissario, com parceria da Fundação Vitória Amazônica e apoio do Grupo Boticário. A atuação conjunta conecta organizações, cooperativas e comunidades em torno do fortalecimento de cadeias produtivas sustentáveis.
Por meio do Programa VBIO, a Emissario contribui para estruturar iniciativas que aproximam parceiros e territórios, promovendo oportunidades de geração de renda e valorização da sociobiodiversidade.
A experiência do Rio Unini evidencia o potencial de modelos produtivos que integram organização comunitária, beneficiamento e acesso ao mercado, reconhecendo a biodiversidade como parte fundamental do desenvolvimento territorial.
Conheça o Programa VBIO e descubra como iniciativas de sociobioeconomia podem conectar negócios, comunidades e conservação ambiental.



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